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July 11 2013

22:04

A página é a parede

Página Dupla, uma exposição recente da galeria LOGO em São Paulo, foi um experimento dos artistas Walter Nomura (aka Tinho) e Flavio Samelo criando conexões entre pintura e fotografia. Para ambos artistas o gênero “revista de skate” é uma influência que transborda para suas práticas artísticas, por tanto surgiu a ideia de envolver o tipógrafo e designer gráfico Frederico Antunes no projeto que, como eles, também é skatista. Mais que isso, Fred é o diretor de arte da revista de skate Vista, na qual Samelo também trabalha como editor de fotografia, e responsável pela elegância gráfica de diversos projetos envolvendo skate e arte no Brasil. Conversei com Fred por email, já de volta a Porto Alegre, onde vive, sobre a experiência de fazer o “layout” da exposição e do zine Página Dupla. (Fotos Leo Stroka e Roberta Ahrons)

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Antes da exposição, qual a sua proximidade e relação com os artistas Tinho e Samelo?

Por mais improvável que pareça, conheço o Samelo há apenas 3 anos. Já estava na Vista há dois anos quando pudemos contar com ele como diretor de fotografia. O processo da revista fez com que tivéssemos contato diário e acabamos ficando muito amigos.

O Tinho só fui conhecer mesmo no dia da montagem. E com o Tinho não tem tempo ruim, foi legal demais.

Como foi o processo de criação do zine? Ele não é exatamente um catálogo da exposição.

O Samelo me ligou contando todo conceito da expo e avisando que tinha conseguido parceria da LRG aos 45 do segundo tempo e queria que eu fizesse a peça. Já tinha a ideia fechada na cabeça; queria uma peça pequena, impressa em papel jornal e que não fosse um catálogo em sua forma neutra de ser. Um fanzine.

Eu não sou lá conhecido por layouts muito orgânicos, então acho que acabou ficando uma coisa meio “Josef Muller Brockmann meets Sesper”, seja lá o que isso queira dizer.

E fazer a expografia? Deu a sensação de realmente estar fazendo um layout de página na parede?

Nunca tinha feito nada parecido, então foi todo um processo novo pra mim. Ter a terceira dimensão à disposição abre toda uma gama de possibilidades que quase atrapalha. Difícil saber como começar e quando parar. E ter claro que o objetivo é apresentar as obras dos dois de uma forma interessante, com algum input meu. É um equilíbrio delicado.

Eu não conhecia a LOGO pessoalmente, então não tinha nada na cabeça até chegar lá. Foi tudo pensado ali, na hora, entre nós três. Do Flavio eu já era íntimo e o Tinho me deixou muito à vontade. “O que você inventar a gente faz”; fácil assim. Dirigir monstros como eles foi uma troca muita interessante. Fluiu naturalmente.

Eles executaram toda a estrutura formal que eu pensei. Do zero. Laser, escada, inventando os “mequetréfis” mais loucos pra fazer funcionar. Fazer alinhamento em grande escala não é tão fácil quanto apertar o botão no InDesign…

Sobre os elementos, acho que dá pra ver claramente um grid, um elemento ilustrativo, legendas, elementos formais compositivos, um sistema de cor e a composição fotográfica mais complexa.

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Você já trabalhou design gráfico e tipografia dessa forma antes? Quais outras experiências aconteceram nesse sentido? Lembro de um cenário de alguma coisa na MTV.

Essa experiência foi realmente única. Acho que o mais próximo que cheguei foi fazendo a museografia da mostra TRANSFER. Desenvolver o design de informação para grandes espaços tem todo um outro tipo de approach. Sempre desafia.

O cenário do programa do Lobão foi bem diferente no sentido de que não tive a necessidade de pensar no conjunto da obra, do cenário. O Beto Shibata, diretor de criação da MTV, pediu que fizesse uma série de posters tipográficos diversos. Me mostrou algumas ideias e elas não tinham que fazer, necessariamente, tanto sentido. Então foi um processo mais focado em cada poster e menos o cenário como um todo. Mais perto do meu processo normal de trabalho 2D.

Qual a sua relação com o mundo das revistas de skate e como é o trabalho atual com a Vista?

Sempre tive curiosidade pelo lado comportamental e estilístico do skate; o consumo de revistas de skate começou cedo. Em 1991 não era qualquer banca que tinha Thrasher, Transworld Skateboarding ou Rad. Me lembro que formava fila pra folhear cada nova edição. Era toda uma outra realidade, a do acesso à informação. Uma época de muita baixa do skate, a cena era pequena. Ter essa visão macro que a revista traz era muito inspirador.

Estou na Vista há 5 anos e posso dizer que é um processo muito louco. A equipe trabalha remotamente, cada um de um lugar do país, se reunindo por Skype e discutindo por e-mail. É um processo muito democrático então acabo participando do posicionamento da revista como um todo e meu envolvimento vai muito além do projeto gráfico e diagramação.

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O mundo do skate também te inspirou como designer gráfico? Quais são algumas das tuas referências nesse sentido?

Me inspirou de muitas formas.

O link mais óbvio é o desenho das tábuas. Num primeiro momento uma influência menos consciente dos trabalhos do Billy Argel e daquela geração (lembro bem da tábua Leo Kakinho verde e roxa) e um pouco mais tarde, já com um olhar mais crítico e acesso a informação, o trabalho do ArtDump – Girl e Chocolate (Evan Hecox em especial) – me fez ver a coisa de outra forma. A delicadeza e suavidade podiam, também, representar o skate. Minimalismo e bom gosto californiano num contraponto ao excesso das gerações anteriores. Me identifiquei bem mais com essa estética. Ter tido a chance de trabalhar com eles foi todo um fechando de um ciclo pra mim. Muito legal.

O trabalho do Don Pendleton pra Alien Workshop também foi muito importante pra mim. Uma estética mais “gridiana” que sempre me representou bem.

Acho que inspirou também no processo e posicionamento: O skatista vê a cidade de outra forma. É toda uma outra análise e apropriação. Tipo o que Iain Borden fala no livro Skateboarding, Space and the City: Architecture and the Body.

A arte do improviso e da adaptação ao meio. O “faça-você-mesmo”. Tudo isso influenciou minha forma de produção sem dúvida. Um posicionamento mais empírico em relação a tudo.

Tem também o lance do outsider. Do skatista ser sempre um marginal, de não pertencer, de não se enquadrar. O skate junta caráteres interessantes, atrai grupos inusitados. Uma mistura peculiar de conhecimento de rua, diversão & criatividade.

De uma forma ou outra tudo isso me influenciou.

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July 05 2013

22:19

Antes do Photoshop: a exposição

A Powerfull Collision - 1914

A National Gallery of Art de Washington, EUA, apresenta a mostra Faking It, mostrando uma compilação de fotografias manipuladas de forma analógica, bem antes da existência do Photoshop.

A imagem acima chama A Powerfull Collision, datada de 1914.

Io mais gatto - 1932
Io + gatto – 1932

man in bottle - 1888
Man in Bottle – 1888

Essa é a maior exposição dedicada à história da manipulação fotográfica, apresentando aproximadamente 200 imagens, abrangendo um recorte do ano 1840 até meados de 1980. A exposição fica em cartaz até dia 5 de Maio.

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Max Ernst – 1946

room with eye - 1930
Room with Eye – 1930

seated man with brattle street church seen through window - 1850
Seated man with brattle street church seen through window – 1850

The Pond - Moonrise - 1904
The Pond – Moonrise – 1904

unidentified woman seated with a female spirit - 1862 - 1875
Unidentified woman seated with female spirit – 1862-1875

untitled - 1969
Untitled – 1969

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Untitled – 1976

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July 03 2013

22:47

Toy com T maiúsculo

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O site chinês Toy Espresso visitou em Tóquio a “Takayuki Takeya Shishi Exhibition”, mostra de action figures e desenhos do mestre japonês. Takeya nasceu em 1963 e já trabalhou como concept artist em jogos como Final Fantasy e a série Gilgamesh. E tem um monte de fotos para você se perder nos detalhes de cada um deles.

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18:52

Parciais de Pina

O fotógrafo Paulo César Lima apresenta na Galeria Olido a exposição imperdível Parciais de Pina Bausch, que fica em cartaz até dia 4 de agosto.

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A mostra é composta por fotografias que Lima produziu durante a temporada da companhia alemã dirigida por Pina, a Tanztheater Wuppertal, no Brasil, onde foram apresentadas as coreografias “Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã”, encenada no Teatro Alfa em 2006, e “Ten Chi”, dançada no Brasil em 2011.

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cena de Para as crianças de ontem, hoje e amanhã (2002), de Pina Bausch (Teatro Alfa, São Paulo, 2006)

Pina Bausch revolucionou a dança contemporânea, produzindo uma nova estética e conceituação em suas peças intrigantes e belas. O diretor alemão Win Wenders criou uma homenagem deslumbrante para a bailarina, morta em 2009, no filme Pina (2011). O filme é imperdível, e para aqueles que querem um gostinho, aqui vai o trailer de tirar o fôlego:

Serviço:

Exposição ‘Parciais de Pina Bausch’, de Paulo César Lima
Onde: Galeria Olido – Av. São João, 473 – Centro
Quando: 02/07 a 04/08, 2ª. 3ª. 4ª. 5ª. 6ª. Sáb. Dom. das 10h00 às 21h00
Grátis

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June 19 2013

23:56

Esculpindo com a serra-elétrica

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Em mostra na galeria The ShugoArts em Tokyo, o artista Shigeo Toya, de 66 anos, apresenta trabalhos escultóricos feitos a partir do uso de serra-elétrica.

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Toya e outros artistas japoneses tiveram notoriedade nos anos 80 pelo uso dessa técnica, sendo referenciados como um movimento pós-Mono-ha. Assim como no movimento original Mono-ha, dos anos 60, o uso de elementos da natureza e uma estética simplificada que investiga a relação dos materiais com o espaço são abordadas pela prática de Toya, no entanto existe um expressionismo ligado às marcas feitas pela serra-elétrica, evidenciando uma importância do gesto do artista no processo.

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Outros elementos significantes na obra de Toya são a questão da coloração e o uso do fogo. Após esculpir as peças, o artista aplica cinzas para obter uma coloração diferenciada, unindo a pintura à sua prática espacial.

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June 13 2013

20:40

Festa do design brasileiro

Abre nesta 6ª feira a 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, no Memorial da América Latina, em São Paulo, com 444 projetos selecionados entre mais de 1910 inscrições.

É o recorde de projetos expostos em uma edição (a média das últimas bienais foi de 300 trabalhos): por conta do hiato da não-realização em 2011, a 10ª Bienal cobre 4 anos, mostrando uma seleção do que de melhor foi produzido de 2009 pra cá.

Incluindo a nova identidade visual da IdeaFixa, criada pelo estúdio curitibano Taste.ag.


A nova marca do IdeaFixa resgata a essência da marca: a sobreposição dos elementos traduz a comunidade de artistas e designers de maneira lúdica e cria uma identidade única.

Estão presentes desde projetos elegantes como a revista Serrote de Daniel Trench, e o Calendário Lunar de Dimitre Lima, objetos de desejo como os livros da Cosac Naify e o ‘Jogo da Memória Tipográfico’, da ps.2, ou ainda bem humorados como a identidade visual da Chocolate;)ri e os pendrives da Visorama.


Calendário Lunar 2012, de Dimitre Lima


Para comemorar os dez anos do estúdio carioca foi criado um pen drive feito à imagem e semelhança dos sócios.


Poster Chocolate;)ri.

… ou o genial vídeo ‘Sem tarja preta’, um dos projetos de graduação selecionados. Tem de um tudo nesse panorama.


Sem Tarja Preta de Bee Grandinetti.

Pela primeira vez o sistema de inscrição foi realizado completamente online, o que possibilitou a participação de jurados de outros estados e também de outros 13 países, além do Brasil. Somando as duas etapas de julgamento (a primeira, pelo sistema na web, gerou uma ‘shorlist’, analisada num segundo momento por um júri presencial, em São Paulo), cada trabalho aprovado foi visto por até seis jurados diferentes. Convidados pelo coordenador geral da mostra, Bruno Porto, o júri teve profissionais de várias áreas e foi composto por jovens talentos — como o designer de produto Jaakko Tammela e a designer gráfica Sarah Stutz — a grandes referências nacionais como o expert em embalagens Lincoln Seragini e o tipógrafo argentino Rubén Fontana. Gente muito cool como a designer holandesa Nikki Gonnissen e os ilustradores Kako e Orlando Pedroso também estão no timaço composto por 88 pessoas.

Uma generosa programação paralelagratuita, como tudo o que acontece nesta Bienal — será oferecida ao público, com destaque para a grande conferência.

Dia 15, sábado, que traz a apresentação de cases como o Pinball No Dust Stuck On You, produzido pelo Nitrocorpz Design Studio (Goiânia) para a banda Black Drawing Chalks, a identidade visual do Advertv criada pela Taste.ag (Curitiba) e o belíssimo cenário para a mais recente turnê de Marisa Monte, criada pela Boldº_a design company (Rio).

Dia 16, domingo, tem palestra do designer belga Mario Van Der Meulen sobre inovação e sutentabilidade e bate-papo com os ilustradores Jairo Buitrago (Colômbia), Maurício Negro (Brasil) e Gonzalo Cárcamo (Chile).

Mais informações › www.bienaladg.org.br
Confirme sua presença › facebook.com/events/461238213966467

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Esta Bienal é uma realização da ADG e do Memorial da América Latina, com patrocínio da APEX e SENAC e produção da Mandacaru, identidade visual linda da ps.2 arquitetura+design e expografia + app + apetrechos tecnológicos massa da 32 Bits.

May 23 2013

20:24

Novos trabalhos do escultor hiperrealista Ron Mueck

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Conheça três novas esculturas hiperrealistas do notório artista Ron Mueck.

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Os trabalhos de Mueck (de quem lembramos um pouquinho aqui) são conhecidos por provocarem quem os observa, umas vez que geralmente sua produção se baseia em figuras incrivelmente realistas e detalhadas em escala agigantada ou miniatura.

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Mês passado o artista revelou três novas obras na Fondation Cartier, em Paris, como parte de sua mostra que ocorrerá em Setembro.

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No vídeo abaixo você pode conferir melhor o impacto criado pelas escalas e detalhes das esculturas:

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May 18 2013

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Exposição Coleção Itaú de Fotografia Brasileira

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Corra que a mostra no Instituto Tomie Ohtake de 60 anos da produção experimental fotográfica nacional fica em cartaz somente até esse domingo, 19 de maio!

Mario Cravo Neto - o deus da cabeça
Mario Cravo Neto – O Deus da Cabeça

João Castilho - serie redemunho
João Castilho – Série Redemunho

Com curadoria de Eder Chiodetto a exposição apresenta 91 trabalhos de fotógrafos modernos e contemporâneos, como Geraldo de Barros, José Oiticica Filho e Thomaz Farkas do primeiro núcleo, e Albano Afonso, Miguel Rio Branco, Claudia Andujar, Alex Flemming, Paulo Nazareth, Mauro Restiffe, Artur Omar e Bob Wolfenson, entre outros no escopo contemporâneo.

Miguel Rio Branco - Blue Tango 
Miguel Rio Branco – Blue Tango

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Geraldo de Barros – Fotoforma Pampulha

De acordo com Chiodetto, “”O processo curatorial mantém a essência de pesquisar a ressonância da fotografia modernista experimental, praticada com ênfase entre os anos 1940 e 1960, na fotografia contemporânea brasileira. A exposição contém obras que ilustram os dois períodos, mostrados lado a lado, para instigar a leitura conceitual e estética e ilustrar como o período modernista ressoa na produção contemporânea”.

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Claudio Edinger – Rio de Janeiro

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Albano Afonso – Série Paraíso

O partido curatorial da mostra não se baseia numa cronologia, de forma a estabelecer um espelhamento lúdico, evidenciando os diálogos formais e uma liberdade de representação fotográfica presentes nos dois períodos. “Uma das intenções dessa mostra é justamente sugerir pontos de contato entre os tempos pré e pós ditadura”, comenta Chiodetto.

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Geraldo de Barros – Abstrato

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Lenora de Barros – Língua Vertebral

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May 09 2013

19:56

Desconstruindo a galeria

O artista americano Daniel Arsham produz obras que colocam em questão o diálogo entre arte e arquitetura, investigando o espaço expositivo da galeria.

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Arsham afirma que sua fascinação pela desconstrução espacial veio de uma experiência de infância, quando um furacão destruiu completamente a casa em que morava em Miami.

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“Ver a arquitetura desmembrada daquela forma foi a minha primeira experiência com o que existe dentro das paredes. Elas são construidas para parecerem sólidas, de forma que nós sentimos que os edifícios vão parar em pé, mas na verdade existe toda essa porcaria atrás delas. Meu trabalhos permitem que a arquitetura seja fluída, de um modo menos violento do que o que eu experimentei.”

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Arsham fundou junto ao arquiteto Alex Mustonen o Snarkitecture, estúdio de prática colaborativa onde os dois desenvolvem projetos artísticos e arquitetônicos, onde investigam estrutura, material e programa e como esses elementos podem ser manipulados para servir novos e criativos propósitos.

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As obras de Arsham interferem diretamente no ambiente aparentemente “intocável” do cubo branco, e muitas de suas intervenções nos remete aos trabalhos do brasileiro Henrique Oliveira, que teve obra de destaque na 29ª Bienal.

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Oliveira também propõe desconstruir espacialmente estruturas arquitetônicas, muitas vezes expositivas, explorando uma escala maior de um modo mais visceral, de forma menos figurativa que Arsham, explodindo, esticando e reconstruindo a materialidade do espaço.

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April 01 2013

19:43

Curiot e os monstros

Monstros ancestrais mexicanos, figuras animalescas construídas de texturas e cores vibrantes, imagens de um folclore contemporâneo. Conheça a obra alucinante do artista mexicano Curiot.

O artista está com a mostra Age of Omuktlans no Fecal Face Dot Gallery em São Francisco, Califórnia e explica as suas referências como uma mistura da cultura mexicana e americana: “Crescer nos Estados Unidos meio que me proporcionou uma cultura diluída do México, eu não fazia ideia do que eu estava perdendo até que eu voltei para lá há dez anos atrás. As cores vibrantes, o folclore, as culturas antigas e as lindas manufaturas são algumas das coisas que eu abracei e que influenciam profundamente o meu trabalho.”.

Curiot não somente explora o seu imaginário através das telas e tinta acrílica, mas também deixa escapar um pouco de seu mundo nas vias públicas e nas fachadas de centros culturais, como o Centro Cultural Border na Cidade do México, onde produziu um mural de mais de 30 metros intitulado Pasaje de Gorathma, que pode ser visto em parte nas duas imagens que seguem.

 

 

 

 

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Tweet Tags: Age of Omuktlans, Centro Cultural Border, cultura mexicana, Curiot, Entidades ancestrais, Fecal Face Dot Gallery, folclore, monstros, Pasaje de Gorathma

March 28 2013

23:13

Troca de tempo


Em troca de escutar seu irmão cantar, Chucho, simultaneamente documentou cada uma de suas respirações, durante uma hora.

Conheça o trabalho sensível e transformador Time Divisa, do artista mexicano Antonio Vega Macotela, que foi exibida na 29ª Bienal de São Paulo.


Time Divisa consiste em 365 trocas individuais que Macotela fez com detentos da prisão Santa Martha Acatila na Cidade do México, que se estenderam por aproximadamente quatro anos. O artista realizava um pedido feito pelo presidiário, enquanto este, por sua vez, fazia um projeto artístico encomendado, usando materiais que estivessem ao seu alcance.


“Cada vez que ia na prisão, Oswaldo pedia para conversar comigo durante 15 minutos. Em troca, ele deveria me trazer o ovo que comeria no café-da-manhã e desenhar na casca os assuntos que conversávamos.”

Para Macotela, essa obra é um projeto que explora a possibilidade de se substituir o dinheiro por um sistema de compartilhamento de tempo, baseado no intercâmbio temporal entre diferentes tarefas. O artista entende que é o papel da arte substituir um sistema monetário por valores pessoais como o amor, desejo e liberdade.


“Super-Ratón” pediu que o artista fosse assistir ao parto de seu filho. Em troca, o presidiário passou três horas juntando e catalogando as bitucas de cigarro – que pelo visto foram muitas enquanto seu filho nascia!

O artista explica: “Fui à prisão observar uma proposta de metáfora para o tempo. Do pouco que eu sabia, ali era uma micro-sociedade, com relações de classe e com tudo que uma sociedade organizada apresenta”.


Em troca de documentar em vídeo todos os possíveis caminhos de chegar até a casa de seu melhor amigo, Eduardo desenhou as tatuagens daqueles que estavam a sua volta.


Enquanto Macotela cantava uma serenada para sua mãe, Ivan desenhou um mapa sonoro da prisão, codificando os sons ambientes 360 graus em torno de si.

Sobre os favores que os detentos pediam à Macotela, ele explica: “O que eles normalmente pediam para eu fazer era literalmente tomar seus lugares no lado de lá. Eu visitei os túmulos dos seus parentes e disse algumas palavras. Eu pedi perdão aos seus pais. Eu levei as suas mães para dançar. Eu conheci seus filhos e agi como pais para eles por um dia. Eu li uma carta para um parente que estava falecendo no hospital. (…) Como nós fazemos nossas ações ao mesmo tempo, cria-se uma ligação extremamente forte e estranha entre os dois


Para cada vez que Macotela procurava o filho de Mario em Córdoba, ele entalhava a frase ‘Assim desaparece’ em tijolos retirados de sua cela.
 


Enquanto Macotela ficava bêbado na festa de batismo do sobrinho de Israel, este fez uma série de frottages entre sua cela e o espaço publico da prisão Sta Martha.


Em troca do tempo que Macotela passou procurando o amor de sua vida, Ismael usou o tique nervoso de bater o seu dedo para escavar um buraco em um exemplar de “O Conde de Montecristo” – imagine quantas vezes ele bateu o dedo nesse livro!

 


Macotela apertou a mão de todos os parentes de De la Mora, enquanto, ao mesmo tempo, ele contava uma partida de basquete na forma de um poema concreto.
 

“No cárcere, se conhece o quanto vale um dia. Ali, sim, sabe-se o valor do tempo”.

 

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Tweet Tags: 29 Bienal de São Paulo, Antonio Vega Macotela, arte contemporânea, prisão, sistema de troca, tempo, Time Divisa

September 05 2012

19:11

Insert | Chegou a hora de ir pro Rio!

Já está com tudo pronto para o Insert? O nosso amigo aí de cima já fez seu checklist.

Ingresso Ok
Óculos escuros e protetor solar Ok
Skate para o Joshua Davis assinar Ok
Bermuda e camiseta para passar o dia Ok
Chinelão Ok
Cabelo com corte nerd Ok
Demo Reel atualizado Ok
Funk no iPod Ok
Passagem de Volta (em aberto)


Ilustrações: Francisco Soares.

Clique para ver em alta!

A promoção do Ideafixa acaba hoje! Compre seu ingresso mais barato aqui.

Ingressos também poderão ser adquiridos no credenciamento, à partir das 08:00.

Insert Brasil
Um novo evento de design está chegando ao Rio
◣ Palestras ◣ Workshops ◣ Mesas-Redondas
◣ Exposições ◣ Atividades ◣ Festa

◣ R$260 Ingressos promocionais IdeaFixa
◣ 8 e 9 de Setembro / Rio de Janeiro / RJ
◣ www.insertbrasil.com
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September 04 2012

16:20

Macanudismo | Quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers

Está de volta ao Rio de Janeiro a 2ª etapa da programação “ Macanudismo” a exposição do cartunista argentino Liniers, na Caixa Cultural do Rio, produzido pela Mandacaru, o calendário vai até o dia 09 de Setembro, neste domingo.

A programação inclui oficinas, mesas redondas com a participação de figuras ilustres dos quadrinhos nacionais como Adão Iturrusgarai, Rafael Coutinho, Fabio Zimbres e André Valente. E a exibição do filmeLiniers, El trazo simple de las cosas“, de Franca Gonzalez.

Programação completa » www.macanudismo.com.br

E em parceira com a Mandacaru, a IdeaFixa sorteia 2 exemplares do livro Macanudo autografados.

Participe pelo Facebook »» clique aqui
Resultado: domingo, junto com o encerramento do evento no Rio de Janeiro.

Macanudismo
Quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers
www.macanudismo.com.br

Rio de Janeiro
10/07 até 09/09 das 10h às 21h
» evento no facebook
Caixa Cultural Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25, Centro
» como chegar
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Tags: caixa cultural, evento, exposição, liniers, Macanudismo, mesas redondas, Oficinas, rio de janeiro

August 27 2012

21:03

Mix de texturas e um rosto de mulher

Rone é um artista de Melbourne conhecido por seus cartazes com closes estilizados de rostos de mulheres. Através de uma variedade de técnicas, ele mistura em cada peça, texturas, construção e desconstrução de múltiplas camadas e a tinta líquida, que em forma de fluxo livre revela uma composição da continuidade da passagem do tempo.

Na série Darkest Before the Dawn Rone cria uma narrativa com o rosto da mesma mulher. Separadamente, cada ‘capítulo’ tem sua essência e, quando juntos, tem todo um sentido.
Ou não.

 

A característica principal da personagem de Rone é um símbolo para a possibilidade de assimilar que nossos piores momentos acabam se tornando nossas próprias forças.

A primeira exposição individual de Rone tem abertura dia 8 de Setembro e segue até dia 29, na White Walls Gallery – São Francisco, Califórnia.

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Tweet Tags: colagem, decollage, exposição, Mulheres, Rone, stencil, White Walls Gallery

August 09 2012

15:15

Exposição Colheres de Bambu | Alvaro Abreu e Hans Hansen

Composta por mais de 600 peças do artista brasileiro Alvaro Abreu e uma seleção de fotos do alemão Hans Hansen, a exposição “Colheres de Bambu” apresenta o resultado de um trabalho inteiramente manual, executado com ferramentas simples e, muitas vezes, improvisadas.

Engenheiro por formação, Alvaro Abreu se encantou com a manufatura do bambu em 1995. Desde então, começou a produzir colheres movido apenas pela satisfação de produzir com as mãos e pelo prazer de criar formas limpas e diferenciadas.

O processo de trabalho consiste, basicamente, em extrair pequenos pedaços de material esculpindo-os com canivete à partir da fibra.

O trabalho desenvolvido por Alvaro ao longo deste período já passou por locais como o Museu Vale (ES), o Museu da República (RJ), e, recentemente na Galerie Handwerk, em Munique, cidade do Die Neue Sammlung – The International Design Museum, com um acervo de 54 peças.

O trabalho e contato de Hans Hansen na série de Alvaro Abreu inicia-se em uma das exposições do escultor na Europa, mais precisamente na 54ª Feira Internacional de Artesanato de Munique, em 2002. Passados 10 anos desde este primeiro momento, Hans traz junto à mostra, o lançamento de seu livro “Álvaro Abreu – Bamboo“, que comemora 50 anos de sua carreira.

Para elaborar o livro “Alvaro Abreu – Bamboo”, Hans Hansen escolheu dentre 640 colheres de bambu levadas até ele na Alemanha pelas filhas de Alvaro Abreu. A publicação, no formato de uma caixa com 20 fotografias de 108x28cm em preto e branco, mantém a escala real de cada peça, em diversas composições. Para editá-la, o fotógrafo contou com a experiência do professor Florian Hufnagl, diretor do Museu Internacional de Design de Munique, além do projeto gráfico de Annette Kröger.

Colaboraram ainda 6 especialistas nas áreas filosofia, design, curadoria, jornalismo e ensino, que produziram artigos inéditos sobre a relevância das manufaturas de Abreu, publicados em inglês, alemão e português.

Além da mostra, a programação conta com oficina de confecção de talheres de bambu , utilizando ferramentas e utensílios disponibilizados e orientados por Alvaro Abreu.

>> SERVIÇO:
| Exposição “Colheres de Bambu – Alvaro Abreu e Hans Hansen
Abertura: 9 de agosto, quinta-feira às 19h30
Visitação: 10 de agosto a 16 de setembro de 2012
Entrada gratuita e aberta ao público

| Oficina de confecção de colheres de bambu com Alvaro Abreu
Data: 11 de agosto, das 10h30 às 18h (intervalo para almoço)
Valor: R$ 80,00
Inscrições: www.mandacarudesign.com.br/oficina-colheres-de-bambu-mcb

| Lançamento do livro “Alvaro Abreu – Bamboo”
Data: 25 de agosto, das 11h às 15h
Entrada gratuita e aberta ao público

Local: Museu da Casa Brasileira
Horário: de terça a domingo das 10h às 18h
Endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano
Tel. 3032-3727
Ingresso: R$ 4,00 – Estudantes R$ 2,00
Domingos e feriados – gratuito
Acesso a portadores de deficiência física.
Visitas orientadas: 3032-2564 – agendamento@mcb.org.br
Site: www.mcb.org.br
Estacionamento: de terça a sábado até 30 minutos, grátis; até 2 horas, R$ 12,00,
demais horas, R$ 2,00.
Domingo e feriados, preço único de R$ 15,00.
Eventos noturnos, preço único de R$ 20,00
Bicicletário com 20 vagas

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Tweet Tags: Alvaro Abreu, artesanal, exposição, fotografia, Hans Hanse, Museu da Casa Brasileira, oficina

August 02 2012

02:55

Quando Durmo | Camila Morita

Camila Morita, artista plástica formada em arquitetura e cenografia, integrante do Coletivo SEMO, apresenta sua exposição individual “Quando Durmo” durante o mês de Agosto, na Livraria Cultura.

Sua arte consiste em acrílica sobre tela e madeira, e, também, gravuras em fotocópia e aquarela.
Alguns de seus trabalhos já foram expostos também no exterior, em países como Polônia, Colômbia e República Tcheca.

Na série apresentada, Camila mergulha nos labirintos de suas dimensões mais íntimas e vai buscar nas memórias dos sonhos a arquitetura de uma nostalgia por algo que lhe escapa.

Os sonhos desta moça natural de São José dos Campos, interior de São Paulo, tem uma narrativa poética pautada por um erotismo em busca de sua alteridade. Trata-se de um eros à procura de sua continuidade perdida.
O desejo de algo que lhe escapa, e que talvez, tenha lhe pertencido e que, pelas fatalidades do destino, foi lhe subtraído.

Nas doze telas, assim como nos sonhos, não há uma narrativa linear. No meio de um caos, porém, é possível encontrar um veio de onde brotam o gozo, as inquietações e inseguranças em atmosferas quase sempre sem chão, o que, na prática, antes de expressarem levitações, denotam a fragilidade de situações sem a força da gravidade.
E é exatamente neste campo dos sonhos, nesse garimpo arqueológico, que Camila Morita fareja encontrar a alteridade perdida.

| Serviço:
Mostra “Quando Durmo” – sobre alguns sonhos
de 1º à 31 de Agosto de 2012
Livraria Cultura – Shop. Market Place
Av. Dr. Chucri Zaidan, 902
Vila Cordeiro, São Paulo – SP
de Seg à Sáb – 10h00 às 22h00
Dom – 14h00 às 20h00
Tel.: (11) 3474-4033

*todas as fotos por André Yamamoto

Tweet Tags: Camila Morita, exposição, Livraria Cultura, Quando Durmo

July 20 2012

19:38

Francesca Woodman, a jovem fotógrafa suicida

Um ego frágil e uma personalidade obsessiva coexistiam em Francesca Woodman, a fotógrafa americana que se suicidou em 1981, aos 22 anos, deixando para trás muito mais do que a promessa de um misterioso talento.

Nus fantasmagóricos, jogos surrealistas e um prenúncio de suicídio. Woodman foi fruto de um forte casamento boêmio – ela ceramista e escultora, ele pintor e fotógrafo – que viram  o retrato de família linda de se ver, ser destruído pela morte violenta de sua filha.

Francesca teve sua ‘morte marcada’ 5 dias antes de seu pai, George Woodman, inaugurar sua exposição em Guggenheim, em Nova Iorque. Para adicionar mais drama à cena, ela dá um salto no breu de sua casa, no Lower East Side – Manhattan, e desfigura seu rosto bonito.
Como um ‘borro’ surrealista.

Francesca cresceu nos EUA e se formou na Itália, onde era rodeada de artistas, amigos de seus pais. Talvez o cenário Toscano não fosse o bucolismo preto e branco de seus cliques aos 13 anos, mas a expiração de sua beleza decadente.

No ‘mundo de cá’, ela nunca foi totalmente presente: uma moçoila não contemporânea que amava literatura vitoriana e gótica e usava roupas vintage. Foi chamada de feminista por seu trabalho arquitetar, muitas vezes, seu auto-retrato (provisório e incerto, que perde-se no momento em que está sendo definido)  onde focava seios, pernas e imagens que alternavam entre o erótico e o menina-moça com um resultado visceral.
Mas na verdade, Francesca não era política e nem se interessava por isso.

A causa de um suicídio é sempre uma polêmica. Todos podem abordar a causa que imaginarem juntando fatos e conhecimentos sobre a decisão de determinada pessoa. Mas o mais provável, é que Francesca Woodman tenha vivenciado ao pé da letra a persona que criou. Uma resistência contra a cultura da conformidade e do puritanismo.

Pra você que quer ver mais imagens ao vivo, a Galeria Mendes Wood exibe fotografias de Francesca Woodman que estavam em retrospectivas no Guggenheim, em Nova York.

» Serviço:
Mostra Francesca Woodman
Mendes Wood
Seg. à Sáb, das 10h00 às 19h00
Até 04/Ago
Rua da Consolação, 3358, São Paulo – SP
(11) 3081-1735
Grátis!
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14:17

A Casa das Miçangas

Quem passar pela paisagem cinza da cidade de Detroit (Michigan, EUA) e se deparar com o complexo espelhado e colorido do MBAD African Bead Museum pode ter uma experiência reveladora. Ali, algo em torno de mil metros quadrados de área são o palco da expressão artística e dos sonhos de um homem chamado Olayme Dabls. Um cara que, ao invés de ficar reclamando que sua cidade era suja e feia, resolveu pôr as mãos à obra e tentar mudar alguma coisa.

Artista plástico mais do que completo, como vocês verão nesta matéria, Dabls começou a colecionar miçangas em 1980, após profunda pesquisa sobre o significado iconográfico destas pedrinhas na cultura africana. Em 1985, parte da ideia de expor uma variedade de miçangas ao público norte-americano mais como uma valiosa expressão cultural em termos étnicos, históricos e até mágicos do que um simples artefato, e funda o MBAD.

O MBAD está localizado na parte oeste de Detroit, e possui um acervo incrível de arte africana que inclui escultura, tecidos e poesia, além da infindável quantidade de miçangas feitas a partir de vidro, pedra, osso, madeira e chevron – as verdadeiras pedras preciosas de seu proprietário.

Mas sua graça não está nem nisso. É que, além de comportar obras de arte dentro, o edifício em si já é uma instalação artística – meticulosamente ornamentada por pedaços de espelho, ferro oxidado, madeira, pregos, e muitas miçangas. Dizem que o MBAD muda de cor, brilha e escurece conforme o clima de Detroit. As contas e espelhos da fachada refletem a luz dos dias, o breu da noite, a chuva e a neve quando chega, tornando cada vez que se observa a casa, única.

Ambos os materiais responsáveis por esse visual têm significados marcantes na cultura africana. Enquanto o espelho é visto como um receptáculo de energias e permite que o homem veja o que há por trás dele, as contas e miçangas são utilizadas para proteger crianças ou como amuletos de alguns grupos: “As chevron são as mais notórias do Continente, em alguns países apenas reis e nobres podem usá-las” – explica Dabls neste vídeo.

Sem verba suficiente para tornar este museu uma instituição pública de funcionamento diário, Dabls teve de mexer seus pauzinhos novamente em 2010 para ampliar sua visibilidade.

Com o auxílio de amigos – tais quais Efe Bes, um artista bem doido que faz o “som ambiente” do museu em uma salinha adjacente tocando percussão – e uma turma de alunos de Arquitetura da Universidade de Michigan, Dabls dá início ao processo que a mídia de Detroit apelidou de “embelezamento” da área do MBAD. Com pouca grana, na cara e na coragem o resultado foi esse que vocês estão vendo.

IRON TEACHING ROCKS HOW TO RUST

Em suma, conforme vi numa matéria da HOUR DETROIT, a reforma estética do MBAD teve 5 frentes: nova fachada externa, o plantio de uma horta atrás da casa, a ocupação de um depósito abandonado, a pintura de um grande muro com frases escritas em diferentes línguas nativas africanas e culmina com a instalação externa Iron teaching Rocks How to Rust (em português livre “O ferro ensinando as pedras a enferrujar”) – que é um exemplo físico para os argumentos de Dabls em sua trajetória.

Iron teaching rocks… simula uma sala de aula com pedras “sentadas” nas carteiras, supostamente, a ouvir uma aula ministrada por uma escultura de ferro enferrujado. Ao redor, um carro grafitado simboliza o transporte dos alunos até a escola e duas estruturas fazem as vezes de “diretoria” do colégio. Explica Dabls que, nesta metáfora, o ferro tenta ensinar as pedras a serem ferro (algo que elas não podem ser) e, só quando as pedras protestam, adquirem liberdade para serem o que realmente são, crescerem e triunfarem.

Esta metáfora de professor/aluno estaria atrelada aos processos da colonização européia na África e ao resgate da identidade cultural de um povo cujos ensinamentos riquíssimos ficaram à margem por muito tempo e, em muitos lugares do mundo, ainda passam batido. Não se esquece também de que o ferro é um derivado da pedra – e essa inversão de papéis tão característica do nosso tempo só vem à tona quando escancarada mesmo… Isso, quem me ensinou foi o Olayme Dabls.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho artístico do mestre, visite os links abaixo:

Espelhos: flickr.com/photos/dabls/sets/72157623013871120
Paredes: flickr.com/photos/dabls/sets/72157623086761697
Mosaicos: flickr.com/photos/dabls/sets/72157614811808066
Pesquisas sobre Miçangas: flickr.com/photos/dabls/sets/72157623768142968
Aquarelas: flickr.com/photos/dabls/sets/72157629111320615
Caixas de madeira: www.flickr.com/photos/dabls/sets/72157614738744535

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Tweet Tags: africa, African Bead Museum, espelho, ferro, MBAD, miçanga, Olayme Dabls, pedra

July 18 2012

20:04

O rolé de Joshua Davis no Rio

E aí Joshua, o que você quer fazer no Rio de Janeiro?
- Andar de skate no Aterro do Flamengo.

Ok Joshua, vamos fazer isso e também um pouco mais, dentro do Insert você terá um skate park e um mural gigante para graffitar. Então veio a segunda resposta: — Mal posso esperar para ir ao Insert no Rio de Janeiro!

 

Abaixo alguns trabalhos de Joshua Davis feitos com ajuda do Processing e HTML5.

Nos vemos em setembro! www.insertbrasil.com

Insert Brasil
Um novo evento de design está chegando ao Rio
◣ Palestras ◣ Workshops ◣ Mesas-Redondas
◣ Exposições ◣ Atividades ◣ Festa

◣ R$260 Ingressos promocionais IdeaFixa
◣ 8 e 9 de Setembro / Rio de Janeiro / RJ
◣ www.insertbrasil.com
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Tags: design, evento, exposição, feira, insert, joshua davis, palestras, promoção, rio, setembro, Workshops

May 05 2012

18:11

Mostra Godspeed | Processo fotográfico do século XIX

Galeria Jaqueline Martins apresenta nesta segunda-feira, 7 de Maio, a exposição “Godspeed, de Ronaldo Aguiar.
O artista, que atua como protagonista da memória e do tempo, revela seu desejo de desvendar o universo e a si próprio.

A mostra, conta com fotografias em cianótipo – processo fotográfico histórico criado pelo inglês John Frederick Willian Herschel, em 1842 – que baseia-se nas propriedades fotossensíveis de alguns sais férricos para produção de imagens de coloração azulada.
Dentre as fotografias, Ronaldo Aguiar expõe autorretratos, fotografias sobre painéis eletroluminescentes, uma carta náutica estelar com intervenção fotográfica e uma vídeo-instalação.

Godspeed, por Ronaldo Aguiar

>>>Serviço: Galeria Jaqueline Martins
Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 74 – Pinheiros
gratuito
de  08/Mai à 23/Jun
11 2628-1943
.. 

Tweet Tags: blueprint, cianótipo, Galeria Jaqueline Martins, godspeed, John Frederick Willian Herschel, Ronaldo Aguiar
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