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21:44

Quimeras que gringo vê

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Walmor Correa se apropria como ninguém da ciência do passado para criar bestiários mitológicos.

Por volta de 1560 quem dava umas bandas pelo Brasil era o espanhol Padre José Anchieta. Em seus relatos descritivos e históricos, o jesuíta relatava impressões do Novo Mundo e compilava as primeiras informações sobre nossa terra de antropófagos pagãos.

 

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A partir do século 16, a Europa Ocidental mercantilista se viu fascinada com as descrições de exóticas paisagens do além mar ao sugar riquezas das colônias feito parasita continental. Mas não é sobre exploração essa matéria. Na realidade, é sobre uma consequência do feito que enriqueceu o mundo ibérico e seus vizinhos.

 

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Pintores naturalistas, cientistas e pesquisadores embarcariam nas expedições que ocorreriam nos próximos três séculos para documentar as novidades da fauna, flora e geografia descobertas. Anchieta foi apenas um dos pioneiros na imediações tupi e colaborou com a criação do estereótipo do estrangeiro abismado com a natureza incrível do país.

 

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E é exatamente essa a brisa de Walmor Correa. De Florianópolis, SC, o artista plástico finge ser um desses gringos de passagem pelo Brasil que o registra em ilustrações acadêmicas de cunho biológico e didático para atlas.

 

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Basicamente toda a obra de Correa mistura técnicas de estudo animal como taxidermia, entomologia e desenhos técnicos que vistos com atenção revelam alucinações artísticas sobre a fauna fantástica que habita as matas e cidades brasileiras.

 

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“Meu trabalho é focado nos erros históricos destes estudiosos que visitaram nossa terra e sobre o nosso folclore”, descreveu o criador da série “Metamorfoses e Heterogonia”. A mostra do diorama que apresenta bichos impossíveis empalhados fica até 11 de setembro no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo).

 

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Corpos de pássaros com cabeças de ratos, passarinhos com bicos espiralados como de uma borboleta e outras esquisitices quiméricas povoam a pequena exibição do artista que levou seis anos para montar os animais comprando partes na Argentina e nos EUA.

 

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“Dentro do criacionismo, os religiosos de então acreditavam que havia espécies capazes de realizar metamorfoses e isto justificava a presença de seres híbridos que nunca existiram nos relatos de Anchieta e outros estudiosos.” O caráter museológico falso das obras é tão realista que nos faz duvidar se realmente não seria verossímil tamanha aberração ou se não é apenas uma piada com a vocação mestiça do Brasil.

Separamos outros trabalhos de Correa para ressaltar o preciosismo de sua pesquisa como em “Uhheimlich, O Imaginário Popular Brasileiro”. Na série mapas anatômicos dissecam lendas do folclore como sereias e o Curupira. Para chegar ao nível de detalhes foi necessário consultar médicos, veterinários, biólogos e especialistas.

 

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As próximas duas imagens são da série Natureza Perversa (2003):

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Metamorfoses e Heterogonias / Ilha de Itapiraca:

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Híbridos de 2011:

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